Casa Museu Abel Salazar
  • Casa Museu Abel Salazar

    Património da Universidade do Porto, a Casa Museu Abel Salazar é dirigida pela Associação Divulgadora da Casa-Museu Abel Salazar e está aberta ao público em permanência desde 1975 – ano em que se efetiva a doação da Casa e da respetiva coleção por parte da Fundação Calouste Gulbenkian.

    Abel de Lima Salazar nasceu em Guimarães em 1889, viveu nesta casa, em S. Mamede de Infesta, durante 30 anos, e faleceu em Lisboa em 1946. Além de cientista, doutorado com a nota máxima de 20 valores pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em 1915, Abel Salazar foi artista, prosador, crítico, filósofo, divulgador de doutrinas e ideais progressistas. Produziu uma obra de dimensões invulgares que se reparte por setores múltiplos da investigação científica, da atividade artística (pintura, escultura, desenho, gravura e cobre martelado) e da produção literária. A partir de 1919, como Diretor do Instituto de Histologia e Embriologia, foi um dos principais fundadores da escola portuguesa de Histologia, juntamente com Marck Athias e Celestino da Costa. Através de uma série de notáveis trabalhos de investigação, criou novos métodos de técnica histológica, dos quais se destaca o método tano-férrico, que o tornou mundialmente conhecido. Em 1935, foi afastado da regência da sua cátedra por motivos políticos. Foi reintegrado na Faculdade de Farmácia seis anos depois, em cujo Centro de Estudos Microscópicos passou a exercer a sua atividade científica.

    No rés do chão da Casa Museu, estão expostas pequenas esculturas, desenhos e algumas das primeiras pinturas a óleo de Abel Salazar. São paisagens do Minho, retratos da ruralidade e das aldeias de Guimarães. Na antiga capela do século XVIII, à volta da qual se ergueu a casa, podem ser observados alguns bustos – retratos fiéis de pessoas amigas ou familiares – e um conjunto único de cobres martelados, cuja técnica e qualidade nada encontram de semelhante na arte portuguesa. A fotografia da multidão presente no cortejo fúnebre à chegada ao cemitério do Prado do Repouso, no Porto, em janeiro de 1947, documenta uma impressionante manifestação de respeito e admiração populares pela personalidade de Abel Salazar, que nem o regime fascista vigente pôde conter.

    No piso 1, três salas reconstituem o ambiente em que viveu Abel Salazar. Atelier, Sala de Estar e Sala de Jantar mantêm os móveis e a disposição da época, albergando hoje parte da obra plástica e literária de Abel Salazar. No Atelier, um conjunto significativo de quadros, integrados em diferentes fases da sua pintura, interpretam a mulher trabalhadora em feiras e mercados e o labor quotidiano de tanoeiras, carvoeiras e leiteiras. Na Sala de Estar, surgem as primeiras pinturas de figuras masculinas. Ao contrário do que acontece com a mulher, anonimamente presente na maior parte dos desenhos e pinturas, os homens representados são amigos ou pessoas que Abel Salazar admirava. É o caso do Dr. Santos Silva, António Luís Gomes, Henrique Pousão e Guerra Junqueiro, cujos retratos a óleo se encontram nas paredes desta sala, convivendo com pinturas de mulheres burguesas e de alguns familiares. Duas estantes contêm diversos volumes da vasta bibliografia publicada por Abel Salazar sobre os mais variados assuntos e exemplares de catálogos de exposições em que o Mestre participou. Um antigo contador merece destaque pela apropriação artística das manchas e dos veios da madeira, transformados por Abel Salazar em subtis formas femininas. A Sala de Jantar mantém a configuração original e os móveis usados por Abel e Zélia Salazar. A mulher burguesa, representada pelas elegantes figuras parisienses, surge também nas paredes desta divisão, bem como um brasão de família do Mestre, reproduzido nas cadeiras que circundam a mesa.

    Já no segundo piso, no Hall Científico, estão expostos utensílios de laboratório, artigos científicos e desenhos histológicos de Abel Salazar, bem como outros documentos de alguma forma ligados ao seu trabalho de investigador. Na Sala da Imprensa, dá-se a conhecer a faceta humorística de Abel Salazar, com a exposição de uma amostra considerável de caricaturas de professores e colegas e de uma das muitas cartas charadas com que gostava de surpreender familiares e amigos. Na Sala da Gravura, são exibidas águas-fortes, pontas secas e monotipias, resultantes de um intenso trabalho em torno das várias técnicas de impressão, desenvolvido nos prelos expostos no centro da sala. Inúmeros exemplares de jornais e revistas, guardados nesta divisão, lembram a atividade de Abel Salazar como colaborador numa imprensa combativa e interessada nos problemas intelectuais e sociais do seu tempo. Neste mesmo andar, fica ainda o Quarto com a mobília original, iluminado por um candeeiro de cobre feito pelo próprio Abel Salazar.

    No Pavilhão Calouste Gulbenkian, situado no exterior da Casa Museu, realizam-se ateliers educativos, conferências, colóquios, lançamentos de livros, concertos de música, entre outros eventos culturais. Através de exposições temporárias, promovem-se novos valores do panorama artístico nacional e internacional e expõem-se nomes consagrados da pintura, escultura, desenho, fotografia, entre outras expressões artísticas contemporâneas.

  • Contactos

    Morada: Rua Dr. Abel Salazar, s/n, 4465-012 S. Mamede de Infesta

    Telefone: 229 039 827

    Email: cmuseu@reit.up.pt

    Website: cmas.up.pt/

    Blog: casamuseuabelsalazar.blogspot.pt

    Facebook: www.facebook.com/casamuseu.salazar

    GPS: N 41º 12′ 2,6” | W 8º 36′ 46,9”

    Transportes: STCP: 600 (Aliados / Barca ou Maia)

     

    Horário

    Segunda-feira a sexta-feira
    09h30 – 12h30 | 14h30 – 17h30

    Sábados (exposições temporárias)
    14h30 – 17h30

    Todas as visitas são guiadas (marcação para grupos)

     

    Custo de entrada

    Público geral: €2,00
    Menores de 18 anos e maiores de 65, inclusive: €1,00

     

    Entrada livre

    Associados Individuais e Colectivos da ADMAS;
    Mecenas institucionais;
    Associados do ICOM, FAMP – Federação dos Amigos dos Museus de Portugal, mc2p – Associação de Museus e Centros de Ciência de Portugal, MuMa – Rede de Museus de Matosinhos, RPM – Rede Portuguesa de Museus;
    Investigadores, Jornalistas e Profissionais de Turismo (devidamente credenciados e no desempenho das suas funções);
    Professores e alunos de qualquer grau de ensino no âmbito de visitas de estudo, desde que comprovadas documentalmente a sua condição (cartão pessoal) e o contexto da visita (por documento emitido pela respectiva instituição de ensino).